ASILO, É CERTO OU ERRADO? - Vitor Soares - Porto Alegre
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Se “derrotas” aconteceram, que elas não nos abalem. Antes, sejam encaradas como um aprendizado na conquista de vitórias. Sempre é tempo de recomeçar.

ASILO, É CERTO OU ERRADO?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Este assunto tem sido uma constante minha vida e de minha esposa, a partir do momento em que minha sogra aos 51 anos e totalmente independente, ao fazer uma cirurgia no coração, complicações após a cirurgia resultaram em um estado de Hipotensão (baixa oxigenação) seguida de parada cardíaca, estima-se segundo os médicos que foram 15 minutos sem oxigênio até ser reanimada.

O resultado foi bombástico, uma internação de 3 meses em estado total de convalescência, alimentação por sonda, fraldas, totalmente desconectada do mundo (sem congnição, morta viva), infinidade de remédios, perda significativa de peso, chegando aos 38 kilos, como se fosse somente um "resto" da pessoa presa a uma cama e com graves problemas neurológicos.

Os médicos por mais de uma vez nos diziam que devíamos nos preparar para ter em nossas vidas uma pessoa com vida vegetativa persistente, e que por se tratar de uma pessoa com 51 anos, considerada jovem, esta situação poderia durar muitos anos.

Após estes 3 meses de hospitalização, sendo a maior parte na UTI, foram mais 30 dias num quarto de isolamento no próprio hospital, onde conhecemos e aprendemos muito com as pessoas, principalmente com seus 5 filhos, destes, 4 adultos e 1 adolescente, além de seus irmãos e irmãs e seu segundo marido. Deste grupo de familiares somente a minha esposa lutou e a assumiu desde o primeiro pacote de fraldas.

Passados 1 ano e 4 meses, não há e nunca houve mais ninguém, nem filhos, nem irmãos, nem irmãs, nem marido. Exceção da minha esposa, a única filha que carrega até hoje o pesado fardo da responsabilidade. Uma mistura de amor, compaixão, pena, culpa ou outro sentimento que não há palavras.

Incondicionalmente ela assumiu esta situação, ficando ao lado da mãe, emocionalmente, financeiramente e estruturalmente, pois trouxe a sua mãe para dentro da nossa casa, montando uma espécie de UTI, mudando toda a rotina das nossas vidas. Foram exames, consultas, seções de fisioterapia, pisiquiátras, fonoaudiólogos, cardiologistas, almofadas d'agua, equipos, dietas para sondas, madrugadas em postos de saúde para recolocar sonda, idas e vindas ao INSS até conseguir aposentadoria, o que garante hoje um salário mínimo.

A medida em que o tempo passava os problemas iam se modificando e somente a minha esposa à resolver tudo o que aparecia. O marido da minha sogra foi se afastando tão rapidamente quanto os outros parentes e filhos, minha sogra ficou ficou totalmente só.

Atualmente minha sogra não usa mais sonda alimentar, nem fraldas, voltou ao peso anterior, continua tratando-se com vários remédios para o coração e para o comportamento, não esta mais acamada, porém está num estado de demência e considerada "relativamente" capaz, ou seja, consegue alguns atos como ir ao banheiro, mas não consegue mais escrever, se locomove com visíveis dificuldades motoras, não toma os próprios remédios e nem tem o discernimento de como conduzir a própria vida.

É justo a minha esposa anular a própria vida? Os outros filhos vivem as suas vidas indiferentes ao problema da mãe, alias, e ainda se apropriaram de seus pertences como se a mãe já tivesse falecido, inclusive a sua casa e inacreditavelmente, lembrando que no estado em que ela ficou, cujo a despesa no primeiro mês passava dos três mil reais, sem nem um tipo de ajuda dos outros familiares, passados todo este tempo ela não pode morar na sua própria casa por uma série de motivos, lá já tomaram conta, e a filha cuidadora tem que pagar aluguel para a mãe.

Até quando? Pelos próximos 20 anos quem sabe...

O video abaixo feito por minha filha de 15 anos e duas colegas sobre uma casa de repouso aqui em Porto Alegre, fez parte de um trabalho escolar cujo o tema era o abandono. E após, segue um texto que me ajudou muito em meus pensamentos, e que se tu tiver um problema parecido com que eu e minha esposa (a única filha cuidadora) vivemos, talvez te ajude a tomar uma decisão.





"COLOCAR MEU PAI OU MINHA MÃE NO ASILO? NUNCA!"

Autor: Márcio Borges - Geriatra - marcioborges@cuidardeidosos.com.br 
Fonte: http://www.cuidardeidosos.com.br


Esta frase (quase uma bravata!) já foi ouvida em diversas rodas de bate-papo, quando, por algum motivo, o assunto era sobre pais de amigos e conhecidos que iam para uma casa de repouso. Principalmente, quando é um familiar que, aparentemente preocupado, pouco ou nada ajuda no cuidado de seus pais. Acha que a irmã ou outro familiar que já está cuidando, tem a obrigação moral de ir até as condições mais extremas, mantendo as aparências que o apoio ao idoso está muito bom.

Quando o familiar/cuidador, que lida diretamente com o idoso, está em condição precária, estressado, não agüentando mais a pressão a que está exposto, pede um “tempo” para descansar e repor energias, talvez seja um momento necessário para a possível institucionalização. Institucionalização significa levar o idoso para uma casa de repouso. Há casos, como na doença de Alzheimer, em que o idoso é muito agitado e agressivo, onde os medicamentos pouco resolvem. A família, por melhor que seja, não consegue mais manter o padrão de cuidado, e todos se encontram esgotados. O que fazer?

No Brasil, observa-se um crescimento, ainda que pequeno, de clínicas geriátricas e casas de repouso. São diversos os motivos deste crescimento: o envelhecimento da população, o número cada vez maior de idosos que moram sozinhos, e que, por motivo de doença ou solidão, preferem morar em instituições para a terceira idade, a dificuldade de morar com os filhos… O que se coloca de fato é o seguinte: onde o idoso, devido às condições do momento, ficará melhor? Em sua casa ou na casa de um familiar, mesmo que mau cuidado, com o cuidador em más condições? Ou em uma casa de repouso, com pessoal preparado e treinado para recebê-lo? É uma decisão difícil, de uma família no limite!

A primeira coisa que o familiar deve ter em mente é: não sentir culpa pela procura de outro lugar para o idoso morar. Só quem lida com este tipo de situação, sabe do que estamos falando. Outra coisa: você vai ouvir críticas de familiares e de conhecidos por isto. Não se preocupe com estas pessoas, pois elas em nada ajudam neste trabalho, e quando procuram é para atrapalhar e criticar. Converse com os membros cooperativos da sua família, converse com o médico do idoso, conheça o máximo de instituições de longa permanência de idosos que puder, peça referências a quem já tem alguém da família nestas residências. Resumindo, pesquise muito. Quanto maior for o número de dados que tiver a este respeito, mais acertada será a sua decisão.

Desistir da tua vida para melhorar a do outro?

Será que é justo?

Vitor Soares

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